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Posts Tagged ‘morte’

Rest in Peace

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O vapor levanta das grandes máquinas de ferro à serviço do mal.
No trilho lá fora; mas lá dentro isso não existe, pouco importa. É um olho na sua mão, e o outro na mão do adversário. Surge uma gotícula de suor no rosto dele, você fala:
“Você tem uma dama aí?”
O outro dá um gole na branca, limpa a garganta e responde quase tossindo:
“Não, e você? Hahaha!”
Você abaixa a cabeça, ri um pouco e grita pros caras da cozinha:
“Trás alguma coisa aqui pro Klaus! O coitado tá c’um porre desgraçado! (mais…)

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17 de Agosto de 1991, Setor Industrial de Vladivostok

E ele caminha,

Pelos altos prédios sujos e empoeirados ele vem

E as nuvens de limalha ele cruza

A industria urra, as máquinas gemem e rangem

Os homens suam com o frio

Seus pés se enegrecem com a gangrena dos tempos

Que ainda a piorar

Ou não

(mais…)

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15 de Agosto de 1991

O funcionamento da família Dragunov é muito simples. Quer dizer, nem tanto. Ao contrário da “cosa nostra” onde se tem apenas um chefão mentor da família, o Don, que tal organiza, cordena e possue todas as  operações criminosas, depois dele teriam os Capos e assim por diante. Nesse sistema siciliano, o capital adquirido por meios ilegais é aplicado em negócios legalizados e dentro da lei, em tese. Mas no caso dos Dragunov, que são acima de tudo traficantes de armas e bebidas, a coisa é diferente. Primeiro por que eles vivem em um país comunista, em decadência, mas comunista. A maioria dos negócios e empresas são estatizados. Então logo à um bloqueio para investir em empresas limpas, como os italianos fazem, quando fazem, investem na China ou em outro país com mão de obra praticamente de graça, como a India. (mais…)

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Moscou, 9 de Agosto de 1991

E a vingança deveria continuar. Até duas semanas depois da morte do núcleo Karpeyja, ecoavam pela cidade o terror da guerra das máfias. Mas a poeira baixou, os irmãos sem pai nunca mais foram vistos depois do massacre no cemitério de Moscou. (mais…)

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27 de Dezembro de 1989, Cemitério Novodevichi, Moscou

Era um dia qualquer, nevando levemente com uma brisa ártica, era uma hora qualquer, isso para todos. Mas para a família Dragunov, aquilo era um dia marcado na eternidade.

Aquilo, era o sepultamento de “Don” Dragunov, como diziam os italianos. Estava ali, os quatro irmãos, Ulano, Tolinsk, Slovan e Alec. Nomes que seu pai colocou em honra à alguns velhos e honrados amigos e personagens literários. Mas aquilo não era literatura, não era a poesia que seu pai tanto amava, não era o bom jazz yankee, não era os acordes de Chopin, não era mais um dia de lição com seu velho pai. Era um adeus banhado pela amada brisa das montanhas geladas onde seu pai viveu parte de sua vida, antes de vir para a cidade e iniciar os negócios e seu legado. E Tolinsk, não ia permitir o fim disso. (mais…)

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25 de Dezembro de 1989, Em algum lugar de Moscou

Num apartamento qualquer em algum lugar da cidade,  onde a chama da calefação suprime por pouco a neve pesada, o gelo e o frio que fazia, como de costume. Mas seguindo o curso da brasa do vapor e fumaça do aquecedor chegamos à uma janela, fechada à sete cortinas, onde a vida paira para terminar. Um homem deitado na cama, uma mão envelhecida e cansada, um passado de sangue e quatro filhos aos pés da cama. O velho homem já desfalecido pelo tempo e pelo país, aquece seu último lençol, não à medicamentos para ele, nem para ninguém ali. Todos ali estavam destinados à perseguição do governo, “Que matem, e que morram. E que congelem suas lágrimas obscuras e subversivas ao sonho comunista” assim disse uma vez Slovan, antes de estar ali, como se um punhal lhe desferisse um golpe letal e que o dilacerasse todo, seu pai estava ali, definhando, e ele sabia por que, ele sabia que a vida que ele escolheu, e que ensinou aos filhos o levou à aquilo. Não viver sóbrio, com o melhor do bom, com tudo que a carne insana humana desejaria tudo que ele desfrutou e herdou. Mataram, destruíram, assassinaram, para que? Para ver seu pai morrer de tuberculose enquanto eles fogem da polícia como ratos. E fecham-se os olhos de Slovan, durma ali e aceite o, que o seu pai escolheu, futuro que você escolheu o futuro de ninguém.

Mais sentido estava Alec, ele não se preocupou em tirar conclusões melancólicas sobre qualquer coisa, ele estava ali, agarrado ao seu pai, em seus últimos pensamentos. Como se nada mais existisse, além dele e do pai. Como se os segundos fossem horas e minutos eternidades.

Mas ao lado dele, com a mão em seu ombro, e a outra sobre a perna de seu pai, como ele gostava de fazer quando menino, cá estava Ulano, com seu pequeno óculos de leitura no rosto como sempre, sua mãe está morta e seu pai vai estar em segundos, assim ecoava em Ulano naquele momento. E assim ele fala o que sempre quis dizer ao velho, mesmo que ele não responde, mas sabe que ele está ouvindo. Nada mais importa, apenas aquele momento e o afeto por baixo das capas e gelo. (mais…)

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